Doenças Crónicas Associadas ao Envelhecimento


O avançar da idade está positivamente correlacionado com uma maior vulnerabilidade à doença. Existem algumas doenças crónicas que assumem maior prevalência com o avançar da idade: hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes mellitus, défices ortopédicos (artrite reumatóide, osteoporose), dor crónica, cataratas, défices visuais e auditivos.


Doenças Cardiovasculares

As doenças cardiovasculares são uma das principais causas de mortalidade nos países ocidentais industrializados em ambos os sexos. Em Portugal é a principal causa de morbilidade apresentando défices no funcionamento físico, psicológico e social (INE, 2002);
As doenças cardiovasculares acarretam elevados custos nos cuidados de saúde, uma das principais causas de hospitalização, diminuição da produtividade e de reforma antecipada.


Aterosclerose das Artérias Coronárias

Processo de deposição de gorduras e colesterol nas paredes das artérias coronárias que origina a formação de placas ateroscleróticas ou ateromas. A acumulação gradual dos ateromas nas paredes das artérias coronárias provoca a constrição ou oclusão destas, resultando daí a diminuição do fluxo sanguíneo e consequente aporte de oxigénio ao miocárdio (musculo cardíaco).
A doença coronária está correlacionada positivamente com a idade, à medida que esta avança o risco vai sendo cada vez maior.


Síndromas Coronárias Agudas

- Angina de Peito: dor no tórax, braços ou queixo quando o músculo cardíaco não recebe sangue suficiente;
- Morte súbita cardíaca: interrupção abrupta dos sinais vitais conduzindo a morte irreversível;
- Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM): necrose da parte do músculo cardíaco por obstrução total da artéria coronária, que origina uma falta de irrigação sanguínea e consequente enfarte da zona cardíaca não irrigada.

Prevenção e Tratamento

- Abordagem Farmacológica
- Modificação do estilo de vida
- Diminuição da exposição aos factores de risco psicossociais e comportamentais.


Hipertensão Arterial

A força da pressão com que o sangue é bombeado pelo coração constitui aquilo que designamos de pressão arterial. A oxigenação e o transporte de nutrientes às células do organismo são assegurados pelo sangue, que por sua vez é impulsionado pelo coração através de uma conduta de muitos canais de diferentes calibres e dimensões que vão das artérias às capilares.

A força ou pressão com que o sangue é bombeado pelo coração varia de momento para momento (ex. quando estamos de pé ou deitados a pressão necessária para que o sangue chegue a todas as células é diferente), assim como também sofre variações consoante o estilo de vida, as épocas de vida, as épocas do ano e a idade. A pressão arterial não deve passar certos limites, pois quanto mais alta, maior o risco de originar complicações para a saúde.

Sintomatologia

A hipertensão arterial é considerada uma doença silenciosa, pois na maioria dos casos não são observados quaisquer sintomas no paciente. Quando estes ocorrem, são vagos e comuns a outras doenças, tais como dor de cabeça, tonturas, cansaço, enjoos, falta de ar e sangramentos nasais.

Esta falta de sintomas pode fazer com que o paciente esqueça de tomar o seu remédio ou até mesmo questione a sua necessidade, o que leva a grande número de complicações.

Complicações da Hipertensão Arterial

O aumento contínuo da pressão arterial faz com que ocorram danos as artérias de diversas partes do organismo vivo. A Hipertensão Arterial é um factor de risco para Aterosclerose. Como qualquer artéria do corpo pode ser obstruída pela aterosclerose, virtualmente todos os órgão podem sofrer alterações decorrentes da hipertensão, sendo frequentes:

- no coração: o Enfarte Agudo do Miocárdio (IAM), a miocardiopatia e a insuficiência cardíaca.

- no cérebro: o Acidente vascular cerebral (AVC).

- nos rins: insuficiência renal.

- nos olhos: diminuição da visão e problemas na retina.

Cardiopatia Hipertensiva: quando a tensão arterial é elevada, o musculo cardíaco activa mecanismos de adaptação, dos quais o principal, hipertrofia cardíaca. Este mecanismo de adaptação tem limites e a resistência arterial aumentada de forma permanente promove a incapacidade do musculo cardíaco, incapacitando também a circulação adequada às necessidades do organismo, ou seja, entra em insuficiência cardíaca.


Osteoporose


A osteoporose é uma doença que atinge os ossos. Caracteriza-se quando a quantidade de massa óssea diminui substancialmente e desenvolve ossos ocos, finos e de extrema sensibilidade, mais sujeitos a fracturas. Faz parte do processo normal de envelhecimento e é mais comum em mulheres que em homens. A doença progride lentamente e raramente apresenta sintomas. Se não forem feitos exames pode passar despercebida.

A partir de 1991 devido o Consenso realizado por todas as Sociedades Americanas que tratam da osteoporose, elas passaram a informar que é fundamental a análise da qualidade óssea que expressa o estado de deterioração do colageno ósseo. Quanto melhor for a qualidade óssea menor a possibilidade de ter fractura.

A mudança na definição ocorreu porque as pesquisas verificaram que 100 por cento das pacientes com Síndrome de Turner e que possuíam osteoporose, não fracturam. Ainda, os pesquisadores constataram que ao prescrever Fluoreto de Sódio para suas pacientes, os ossos ficavam mais densos e fracturavam com maior facilidade.

A partir dessas constatações os pesquisadores começaram a estudar mais profundamente o tecido ósseo e verificaram que o risco de desenvolver osteoporose e fractura está directamente relacionado com as deteriorações do colageno ósseo.

A partir de 2000, uma nova tecnologia com Inteligência Artificial dos Projectos da Robótica da Nasa permitiu determinar o local mais apropriado do organismo humano que permite estudar minuciosamente o tecido ósseo. Essa região é a das metáfises das falanges dos dedos II-V. Nela é possível avaliar oito parâmetros e não apenas um como quando o exame é realizado na coluna lombar, como vem sendo orientado há mais de 25 anos.


Pontos fracos do esqueleto

Coluna vertebral - Pessoas idosas podem fracturar as vértebras da coluna com frequência. A chamada corcunda de viúva é uma deformação comum e pode até levar à diminuição de tamanho do doente.

É muito importante saber que a maioria das fracturas que ocorrem na coluna se situam na região torácica e não na região lombar como tem sido descrito pela maioria dos reumatologistas e ortopedistas. Vários pesquisadores americanos, entre eles Bonnick (1989) já tinham constatado esse facto.

O Serviço Preventivo da Força Tarefa Americana a partir de 2002 passou a orientar a densiometria da coluna lombar apenas para as pacientes acima de 65 anos se não possuírem antecedente de fractura na família. Também informa que esse exame pode apresentar baixa reprodutibilidade (59,0%) nos seus resultados quando são realizados anualmente. Por essa razão, recomendam que o exame não deve ser repetido na coluna lombar com intervalo menor do que 3 anos.

Punho - Por ser um ponto de apoio, é uma área na qual as fracturas acontecem normalmente. Os ossos sensíveis têm pouca estrutura para sustentar o peso do corpo quando cai.

Quadril - As fracturas de bacia são difíceis de cicatrizar e podem levar à invalidez. Estudos mostram que em torno de 50 por cento dos que fracturam o quadril não conseguem mais andar sozinhos.

Fémur - Também muito comum entre os que desenvolvem a doença. É frequente tanto em homens quanto em mulheres, principalmente depois dos 65 anos. A recuperação costuma ser lenta.


Fisiopatologia

O aparecimento da osteoporose está ligado aos níveis hormonais do organismo. O estrogeneo - hormona feminina, também presente nos homens, mas em menor quantidade ajuda a manter o equilíbrio entre a perda e o ganho de massa óssea.
As mulheres são as mais atingidas pela doença, uma vez que, na menopausa, os níveis de estrógeneo caem bruscamente. Com isso, os ossos passam a incorporar menos cálcio (fundamental na formação do osso), tornando-se mais frágeis. Para cada quatro mulheres, somente um homem desenvolve esta patologia.

Embora pareçam estruturas inactivas, os ossos modificam-se ao longo da vida. O organismo está constantemente a fazer e desfazer ossos. Esse processo depende de vários factores como genética, boa nutrição, manutenção de bons níveis de hormonas e prática regular de exercícios. As células ósseas (osteócitos) são as responsáveis pela formação do colageneo, que dá sustentação ao osso. Os canais que interligam os osteócitos permitem que o cálcio, essencial para a formação óssea, saia do sangue e ajude a formar o osso.
A densidade mineral de cálcio é reduzida de 65% para 35% quando a osteoporose se instala. O canal medular central do osso torna-se mais largo. Com a progressão da osteoporose, os ossos podem ficar esburacados e quebradiços. O colageneo e os depósitos minerais são desfeitos muito rapidamente e a formação do osso torna-se mais lenta. Com menos colageneo, surgem espaços vazios que enfraquecem o osso.


Cuidados Especiais - Idosos

A imobilização prolongada acelera a desmineralização óssea promovendo a atrofia muscular e tromboses venosas dos membros inferiores.

A movimentação permitida no leito, a mobilização articular e o exercício orientado dos diversos grupos musculares, permitem reduzir a descalcificação e manter a força muscular essenciais para a recuperação da actividade e do equilíbrio.
Sintomas

A doença progride lentamente e raramente apresenta sintomas. Se não forem feitos exames sanguíneos e de massa óssea, é percebida apenas quando surgem as primeiras farturas, acompanhadas de dores agudas. A osteoporose pode, também, provocar deformidades e reduzir a estatura do doente.


Epidemiologia


Estima-se que mundialmente 1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 5 homens acima da idade dos 50 tem osteoporose. Ela é responsável por milhões de fracturas anualmente, a maioria envolvendo vértebras lombares, quadril e pulso.

Quem se encontra em maior risco de desenvolver a doença são:
- Mulheres;
- Fumantes;
- Consumidores de álcool ou café em excesso;
- Diabéticos;
- Actividade física inadequada, quer em excesso, quer ausência.

Prevenção

Fazer exercícios físicos regularmente: os exercícios resistidos são os mais recomendados;

Dieta com alimentos ricos em cálcio (como leite e derivados), verduras (como brócolos e repolho), camarão, salmão e ostras.
A reposição hormonal do estrogeneo em mulheres na menopausa consegue evitar a osteoporose.

Tratamento

Reposição hormonal - Importante tanto durante a prevenção quanto durante o tratamento. O estrogeneo reduz o risco de fracturas em mulheres com osteoporose.

Administração de cálcio - Para quem já tem a doença, o cálcio pode ser dado em dosagens de 1 mil a 1,5 mil miligramas por dia, com recomendação médica.

Calcitonina - É uma hormona que tem a função de evitar que o cálcio saia dos ossos. Evita-se assim o processo de corrosão.

Actividade Física, correctamente orientada (por um educador físico), também é usada como parte importante no tratamento e controle da osteoporose, podendo reduzir ou até, estabilizar a perda de massa óssea do indivíduo.

Prognóstico

Os pacientes com osteoporose tem grandes riscos de terem fracturas adicionais. O tratamento para a osteoporose pode reduzir consideravelmente o risco de fracturas no futuro.

As fracturas no quadril podem levar a uma dificuldade na movimentação e um risco aumentado de trombose venosa profunda e/ou embolismo pulmonar.

As fracturas das vértebras podem levar a dor crónica severa de origem neurogénica, que pode ser difícil de ser controlada, assim como uma deformidade.

A taxa de mortalidade em um ano que segue a fractura de quadril é de aproximadamente 20 por cento. Embora raras, as fracturas múltiplas de vértebras podem levar a uma cifose severa (corcunda) que a pressão resultante nos órgãos internos pode incapacitar a pessoa de respirar adequadamente.

Embora os pacientes com osteoporose tem uma alta taxa de mortalidade devido às complicações da fractura, a maioria dos pacientes morre "com" a doença ao invés de morrer "da" doença.


Artrite

A artrite é a inflamação das articulações, em sentido amplo: é conjunto de sintomas e sinais resultantes de lesões articulares produzidas por diversos motivos e causas. É comum o termo artrite ser erroneamente utilizado como sinónimo de reumatismo (que é uma doença imunologicamente mediada), diferentemente da artrite que é uma reacção inflamatória inespecífica e multicausal.

  
As artrites podem ser classificadas em:

Artrite degenerativa; Artrite gotosa (também chamada de gota);  Artrite piogênica aguda; Artrite psoriática; Artrite reumatóide;

Artrite degenerativa - Doença crónica caracterizada por degeneração da cartilagem articular, hipertrofia óssea, dor ao movimentar-se. Acomete preferencialmente joelhos, as articulações coxofemorais e a coluna espinal.

Artrite gotosa - É uma doença causada por reacção inflamatória à microcristais minerais de urato. Apresenta maior incidência no sexo masculino devido a factores culturais e, na mulher, é mais frequente após a menopausa. Acomete principalmente o hálux (dedo do pé), dorso do pé, tornozelos, joelhos e cotovelos, deixando a região quente, dolorosa e hiperemiada (vermelhidão). Pode haver febre e, normalmente, há limitação dos movimentos devido a dor. O ácido úrico está elevado em 85% dos casos.

Artrite piogênica aguda - Com o aparecimento dos antibióticos, a incidência, evolução e o prognóstico das artrites piogênicas agudas modificaram-se positivamente. As articulações mais afectadas são as coxofemorais, os joelhos, ombros e, menos frequentemente, tornozelos, cotovelos, articulações sacrilíacas e os punhos.

Artrite psoriática - A psoríase é uma doença de pele, da causa desconhecida, caracterizada por erupção eritêmato-escamosa. Podendo também apresentar quadro articular grave.

Artrite reumatóide - A artrite reumatóide (AR) é uma entidade auto-imune sistémica com notória predilecção pelas articulações periféricas. É a mais comum das doenças reumáticas inflamatórias. Dadas as potenciais morbilidades articulares inerentes à doença, seu impacto socio-económico é considerável, atingindo de 0,5 a 1 por cento da população mundial.


Diabetes Mellitus

Nos países ocidentais e em vias de desenvolvimento, o número de pessoas com diabetes tem aumentado de forma significativa nas ultimas décadas : atinge 5 em cada 100 pessoas (Gomes Mota et al., 2003).

Há indícios que o problema se agravará na próxima década devido ao aumento e envelhecimento da população e sua urbanização crescente. A diabetes aumenta com a idade, atingindo os valores mais altos no grupo dos 65 aos 74 anos.

Os diabetes Mellitus é uma Doença crónica em que o pâncreas produz uma quantidade insuficiente ou nula de insulina, hormona produzida no pâncreas. A sua função é fazer com que o açúcar (glicose) que circula no sangue, entre nas células do corpo para ser utilizada como fonte de energia.

A falta de insulina leva o organismo a um estado similar à fome já que não consegue converter a glucose em energia. Nesta situação o organismo direcciona-se para o metabolismo das proteínas e gorduras.


Causas e tipos

No início pensava-se que o factor que predispunha à enfermidade era um consumo alto de carboidratos de rápida absorção. Depois viu-se que não havia um aumento das probabilidades de contrair diabetes mellitus com o consumo de carboidratos de assimilação lenta.

Actualmente pensa-se que os factores mais importantes são o excesso de peso e a falta de exercício (para o diabetes tipo 2). A actividade física melhora a administração das reservas de açúcar do corpo.

As reservas de glicogênio aumentam e se dosificam melhor quando o corpo está em forma, já que os lipídios se queimam com mais facilidade, reservando mais os carboidratos para esforços intensos ou em caso de que a actividade seja muito longa que as reservas aguentem mais tempo.

No caso da diabetes tipo I, esta aparece quando o Sistema imunitário do doente ataca as células beta do pâncreas.


Metabolismo da glicose

Como a insulina é a principal hormona que regula a quantidade de glicose absorvida pela maioria das células a partir do sangue (principalmente células musculares e de gordura), a sua deficiência ou a insensibilidade de seus receptores desempenham um papel importante em todas as formas da diabetes mellitus.

Muito do carboidrato dos alimentos é convertido em poucas horas no monossacarídeo glicose, o principal carboidrato encontrado no sangue. Alguns carboidratos não são convertidos.

Alguns exemplos incluem a frutose que é utilizada como um combustível celular, mas não é convertida em glicose e não participa no mecanismo regulador metabólico da insulina/glicose; adicionalmente, o carboidrato celulose não é convertido em glicose, já que muitos humanos e muitos animais não tem vias digestivas capazes de digerir a celulose.

A insulina é liberada no sangue pelas células beta (células-ß) do pâncreas em resposta aos níveis crescentes de glicose no sangue (por exemplo, após uma refeição).

A insulina habilita a maioria das células do corpo a absorverem a glicose do sangue e a utilizarem como combustível, para a conversão em outras moléculas necessárias, ou para armazenamento.

A insulina é também o sinal de controlo principal para a conversão da glicose (o açúcar básico usado como combustível) em glicogénio para armazenamento interno nas células do fígado e musculares.

Níveis reduzidos de glicose resultam em níveis reduzidos de secreção de insulina a partir das células beta e na conversão reversa de glicogénio a glicose quando os níveis de glicose caem.

Níveis aumentados de insulina aumentam muitos processos anabólicos (de crescimento) como o crescimento e duplicação celular, síntese proteica e armazenamento de gordura.

Se a quantidade de insulina disponível é insuficiente, se as células respondem mal aos efeitos da insulina (insensibilidade ou resistência à insulina), ou se a própria insulina está defeituosa, a glicose não será administrada correctamente pelas células do corpo ou armazenada correctamente no fígado e músculos.

O efeito dominó são níveis altos persistentes de glicose no sangue, síntese proteica pobre e outros distúrbios metabólicos, como a acidose.


Diabetes mellitus tipo 1

Normalmente inicia-se na infância ou adolescência, e caracteriza-se por um deficit de insulina, devido à destruição das células beta do pâncreas por processos auto-imunes ou idiopáticos. Só cerca de 1 em 20 pessoas diabéticas tem diabetes tipo 1, a qual se apresenta mais frequentemente entre jovens e crianças.

Este tipo de diabetes conhecia-se como diabetes mellitus insulino-dependente ou diabetes infantil. Nela, o corpo produz pouca ou nenhuma insulina. As pessoas que dela sofrem devem receber injecções diárias de insulina. A quantidade de injecções diárias é variável em função do tratamento escolhido pelo endocrinologista e também em função da quantidade de insulina produzida pelo pâncreas.

A insulina sintética pode ser de acção lenta ou rápida: a de acção lenta é ministrada ao acordar e ao dormir; a de acção rápida é indicada logo após grandes refeições. Para controlar este tipo de diabetes é necessário o equilíbrio de três factores: a insulina, a alimentação e o exercício.

Sobre a alimentação é preciso ter vários factores em conta. Apesar de ser necessário algum rigor na alimentação, há de lembrar que este tipo de diabetes atinge essencialmente jovens, e esses jovens estão muitas vezes em crescimento e têm vidas activas.

Assim, o plano alimentar deve ser concebido com isso em vista, uma vez que muitas vezes se faz uma dieta demasiado limitada para a idade e actividade do doente. Para o dia-a-dia, é desaconselhável a ingestão de carboidratos de acção rápida (sumos, bolos, cremes) e incentivado os de acção lenta (pão, bolachas, arroz, massa...) de modo a evitar picos de glicemia.

Muitas vezes se ouve que o diabético não pode praticar exercício. Esta afirmação é completamente falsa, já que o exercício contribui para um melhor controle da diabetes, queimando excesso de açúcar, gorduras e melhorando a qualidade de vida. Por vezes, torna-se necessário dobrar um pouco as regras: para praticar exercícios que requerem muita energia é preciso consumir muita energia, ou seja, consumir carboidratos lentos e rápidos.


Diabetes mellitus tipo 2

Tem mecanismo fisiopatológico complexo e não completamente elucidado. Parece haver uma diminuição na resposta dos receptores de glicose presentes no tecido periférico à insulina, levando ao fenómeno de resistência à insulina. As células beta do pâncreas aumentam a produção de insulina e, ao longo dos anos, a resistência à insulina acaba por levar as células beta à exaustão.

Desenvolve-se frequentemente em etapas adultas da vida e é muito frequente a associação com a obesidade; anteriormente denominada diabetes do adulto, diabetes relacionada com a obesidade, diabetes não insulino-dependente.

Vários fármacos e outras causas podem, contudo, causar este tipo de diabetes. É muito frequente a diabetes tipo 2 associada ao uso prolongado de corticóides, frequentemente associada à hemocromatose não tratada.

Critérios de diagnóstico

A diabetes mellitus é caracterizada pela hiperglicemia recorrente ou persistente, e é diagnosticada ao se demonstrar qualquer um dos itens seguintes:
Nível plasmático de glicose em jejum maior ou igual a 126 mg/dL (7,0 mmol/l)em duas ocasiões.

Nível plasmático de glicose maior ou igual a 200 mg/dL ou 11,1 mmol/l duas horas após uma dose de 75g de glicose oral como em um teste de tolerância à glicose em duas ocasiões.

Nível plasmático de glicose aleatória em ou acima de 200 mg/dL ou 11,1 mmol/l associados a sinais e sintomas típicos de diabetes.

Sintomas da Diabetes Mellitus

- Poliúria: aumento da necessidade de urinar com frequência. O excesso de açúcar no sangue é eliminado pelo rim.
- Polidipsia: sensação de sede intensa e constante. A perda de água pela urina provoca um aumento de sede.
- Polifagia: sensação de fome constante e difícil de saciar. O aumento de apetite e ingestão alimentar conduz a uma maior ingestão de açúcar aumentando a glicemia no sangue.
- Xerostomia: sensação de boca seca
- Fadiga: a falta de utilização da glicose como fonte de energia promove a astenia física.
- Perda de Peso: a falta de utilização da glicose e a sua eliminação pela urina promove a perda de 3 calorias.
- Prurido generalizado no corpo ou sobretudo nos órgão genitais.
- Visão turva.

Complicações Crónicas

Alteração ao nível da visão: a diabetes ataca uma importante zona do olho, a retina. Esta alteração ocorre muito lentamente e não provoca dor, pelo que, quando as queixas surgem a retina está já num estado de danificação avançado e a cegueira por perto.
Rins: a diabetes pode afectar o funcionamento eficaz dos rins podendo levar a lesões graves que, quando avançadas, implicam o recurso à hemodiálise.

Sistema Nervoso: frequentemente atingido pela diabetes, com sintomatologia que incluem alteração do funcionamento intestinal, sistema urinário e a perda da sensibilidade (ex. tacto, frio, calor ou dor). Por estas razões os diabéticos têm frequentemente feridas nos pés que não sentem, e que podem levar em casos extremos à necessidade de amputação.

Sistema Cardiovascular: a diabetes acelera a formação de aterosclerose nos grandes vasos que conduzem o sangue ao coração e ao cérebro. assim, indivíduos diabéticos têm um risco aumentado de contrair doença vascular, incluindo a insuficiência cardíaca, enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular.

Prevenção e Tratamento

- Abordagem farmacológica
- Modificação do estilo de vida
- Educação para a saúde
- Diminuição da exposição a factores de risco (obesidade, regime alimentar, sedentarismo, stress, depressão, ansiedade, isolamento social…)


Síndrome de Dor Crónica

Apesar de usualmente não se constituir como uma ameaça à vida, o largo número de pessoas que sofrem de dor crónica, os altos custos na saúde e na sociedade e os seus graves efeitos na vida pessoal e familiar fazem com que esta se constitua como uma das grandes preocupações actuais.

A dor crónica está associada a um vasto espectro de diferentes síndromas, doenças, traumas ou patologias (quer físicas, quer psicológicas), pelo que a sua etiologia pode ser diversa: artrite reumatóide, osteoporose, doença reumática, dor crónica e diversos tipos de cancro.

A dor crónica é definida como a dor que persiste ou recorre por mais de 3 meses ou a dor associada a lesão tecidual que se espera continuar ou evoluir; alguns autores definem a dor crónica como aquela com duração de 6 meses ou mais.

COMO SE MANIFESTA A DOR CRÓNICA?

Nos pacientes com dor crónica, o sistema nervoso simpático ajusta-se à condição dolorosa, com redução da hiperactividade. Entretanto, várias alterações psicológicas e de outras origens frequentemente se desenvolvem, incluindo aumento da irritabilidade, depressão mental, preocupação com o corpo e afastamento dos interesses externos. Além disso, os pacientes que sofrem de dor crónica podem querer afastar-se das pessoas mais próximas e apresentar incapacidade ocupacional.

Outros sintomas comummente relatados por pacientes com dor crónica são insónia, diminuição do desejo sexual e alteração do apetite. Um fato importante é que os pacientes com dor crónica podem ser relativamente não responsivos às medicações analgésicas.

A dor crónica frequentemente exerce influência negativa na auto-estima e pode afectar a capacidade de uma pessoa realizar tarefas associadas à vida diária, ao trabalho e à sua função como membro da comunidade; portanto, a identificação de um processo patológico responsável pela dor crónica constitui apenas uma etapa na abordagem das necessidades do paciente - os médicos devem também avaliar a função, a disposição e o estado psicológico do paciente.

Ansiedade e depressão são observadas frequentemente em pacientes com artrite reumatóide, lombalgia crónica e dor crónica no pescoço; fora isso, o grau de incapacidade associado à doença é fortemente influenciado pela atitude do paciente.

Para melhorar a qualidade de vida do paciente, pode ser necessária uma abordagem multidisciplinar que inclui medicações, aconselhamento, fisioterapia, bloqueio de nervos e mesmo cirurgia. Embora muitos pacientes possam ser controlados apenas com medicações, outros podem requerer encaminhamento a uma clínica especializada em dor.

COMO DEVE SER O TRATAMENTO DA DOR CRÓNICA?

Os anti-inflamatórios não esteróides continuam sendo a base do tratamento para pacientes com doenças reumáticas inflamatórias. Quando a administração de AINEs isoladamente não é suficiente para aliviar a dor, os antidepressivos tricíclicos podem ser úteis.

Embora esses agentes tenham sido desenvolvidos para o tratamento da depressão, eles propiciam um efeito analgésico quando utilizados em doses mais baixas do que a utilizada para o tratamento da depressão. Infelizmente, no entanto, esses agentes estão associados a efeitos colaterais significativos.

A maioria dos AINEs actualmente disponíveis inibe a actividade da COX-1 e da COX-2. Enquanto se considera que a inibição da COX-2 é em grande parte responsável pelos efeitos analgésicos e anti-inflamatórios desses compostos, a inibição da COX-1 pode resultar em efeitos colaterais indesejáveis, tais como úlceras gástricas. Os coxibs foram desenvolvidos para tentar separar os efeitos desejáveis da inibição da COX-2 dos efeitos indesejáveis da inibição da COX-1.

Os opióides são os agentes analgésicos mais potentes, porém o uso desses medicamentos para o tratamento da dor crônica em pacientes com doença não maligna é controverso; por isso, os médicos devem pesar a eficácia dessas medicações contra seu potencial de produzir dependência. Embora a dependência seja rara em pacientes que utilizam opióides pela primeira vez para o alívio da dor, é provável que ocorra algum grau de tolerância e dependência física com o uso prolongado.


Arteriosclerose

Arteriosclerose é a situação médica na qual existe o endurecimento e espessamento da parede das artérias. Pela diminuição da elasticidade arterial, costuma provocar aumento da pressão arterial sistólica e diminuição da pressão arterial diastólica. É quase universal na velhice e predominantemente no sexo masculino, já que as mulheres desviam suas gorduras sanguíneas para a produção de estrogênio.

O colesterol é um álcool integrante da fórmula de alguns lípidos, encontrado nas membranas celulares de todos os tecidos do corpo humano, que é transportado no plasma sanguíneo de todos os animais. Pequenas quantidades (formas clivadas) de colesterol também são encontradas nas membranas celulares das plantas. Também é um reagente necessário à bio síntese de várias hormonas, da vitamina D e do ácido biliar.

A maior parte do colesterol presente no corpo é sintetizada pelo organismo, sendo apenas uma pequena parte adquirida pela dieta. Portanto, ao contrário de como se pensava antigamente, o nível de colesterol no sangue não é aumentado ao se aumentar a quantidade de colesterol na dieta.

O colesterol é mais abundante nos tecidos que mais sintetizam ou têm membranas densamente agrupadas em maior número, como o fígado, medula espinal, cérebro e placas ateromatosas (nas artérias). O colesterol tem um papel central em muitos processos bioquímicos, mas é mais conhecido pela associação existente entre doenças cardiovasculares e as diversas lipoproteínas que o transportam, e os altos níveis de colesterol no sangue (hipercolesterolemia).

O colesterol é insolúvel em água e, consequentemente, insolúvel no sangue. Para ser transportado através da corrente sanguínea liga-se a diversos tipos de lipoproteínas, partículas esféricas que tem sua superfície exterior composta principalmente por proteínas hidrossolúveis. Existem vários tipos de lipoproteínas, e elas são classificadas de acordo com sua densidade. As duas principais lipoproteínas usadas para diagnóstico dos níveis de colesterol são:

Lipoproteínas de baixa densidade (Low Density Lipoproteins ou LDL): acredita-se que são a classe maléfica ao ser humano, por serem capazes de transportar o colesterol do fígado até as células de vários outros tecidos. Nos últimos anos, o termo (de certa forma impreciso) "colesterol ruim" ou "colesterol mau" tem sido usado para referir ao LDL que, de acordo com a hipótese de Rudolf Virchow, acredita-se ter acções danosas (formação de placas arteroscleróticas nos vasos sanguíneos).

Lipoproteínas de alta densidade (High Density Lipoproteins ou HDL): acredita-se que são capazes de absorver os cristais de colesterol, que começam a ser depositados nas paredes arteriais (retardando o processo aterosclerótico). Tem sido usado o termo "colesterol bom" para referir ao HDL, que acredita-se que tem acções benéficas.


Perturbações Mentais com maior prevalência no Idoso

A co-morbilidade psicológica associada a doenças crónicas e as perturbações mentais aumentam significativamente com a idade, associando-se de modo significativo a declínios funcionais e a prejuízos na qualidade de vida.

- Perturbações do Humor
- Perturbações de Ansiedade
- Défices Cognitivos (Delirium e Demência de Alzheimer)
- Perturbações de Personalidade
- Abuso/dependência do álcool.
- Ansiedade e Depressão


Características Neurovegetativas e psicomotoras da Ansiedade (APA,1996)

- Agitação, nervosismo ou tensão interior
- Fadiga fácil
- Dificuldades de concentração ou esquecimentos
- Irritabilidade
- Tensão muscular
- Perturbações do sono
- Palpitações, aumento do ritmo cardíaco ou taquicardia
- Suores
- Estremecimentos ou tremores
- Sensação de falta de ar ou sufoco
- Desconforto ou dor no peito
- Náuseas ou mal-estar abdominal
- Sensação de tontura, desequilíbrio ou desmaio
- Medo de perder o controlo ou enlouquecer
- Medo de morrer
- Parestesias (dormências ou formigueiros)
- Sensação de frio ou calor

Actualmente é ponto assente de que a depressão constitui a perturbação psíquica mais frequente nos idosos, variando a sua prevalência entre os 5 e os 65 por cento (Fernandes, 2000)

As características depressivas mais frequentes no idoso são a hipocondria, agitação, sintomas obsessivos e o medo da indigência.

A depressão no idoso é caracterizada por certos sintomas específicos intimamente associados ao processo de envelhecimento e suas implicações:
- Medo da doença e da morte
- Dificuldades de memória
- Défices de atenção
- Desesperança
- Diminuição do interesse em certas actividades anteriormente consideradas gratificantes.


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